terça-feira, 17 de junho de 2008

Guangzhou: Welcome to China!

Boas noticias! Apesar de todas as tentativas do regime comunista chines, ainda consigo blogar. Porem, nao consigo ver o meu blog, apenas edita-lo. As fotos sao tambem impossiveis de colocar em conjunto com o texto. Mas os capitalistas respondem com (mais) uma funcionalidade do Google. Assim sendo, estao disponiveis em http://picasaweb.google.com/jspatrone. Nao estao todas, mas tambem é so para dar um cheirinho.

Venho porem escrever-vos sobre Guangzhou, que os portugueses conhecemos por Cantao.

`A saida de Macau, as ultimas palavras que Portugal nos tem a dizer, incrustadas no antigo posto fronteirico, sao: "Honrai a vossa Patria!". Inspirador, no minimo, dado que estavamos prestes a entrar na chamada Mainland China. Em bom portugues: deixavamos para tras os territorios especiais nos quais, admito, me senti sempre protegido, por todas as razoes que devem imaginar. A cada passo, menos ingles se fala. Nao estou a dizer isto para estilizar o texto: a sensacao é mesmo esta.

Fui o primeiro a passar as tipicas barraquinhas de verificacao dos passaportes, em que nunca tive nenhum problema, ate porque a fotografia coincide sempre com a cara. Ate esse dia. Melhor dizendo, a cara e a foto coincidiram e eu passei sem problemas, mas quando me voltei vi o Pedro a gesticular e a fazer uso de palavras soltas em ingles. No meio de trilioes de chineses que, por minuto, passam por aquele posto fronteirico (o fluxo humano impressiona mesmo), foram os quatro portugas que levantaram suspeitas. Viajar por um periodo de um mes pela China, de mala `as costas, assim sem reservas de hotel nem nada? Para eles, simplesmente, nao faz sentido. Resolveram, portanto, revistar as nossas mochilas. Receava que nos confiscassem os guias do lonely planet. Como comentei com alguns, o regime nao aprova estes guias porque nao contemplam Taiwan como territorio chines. Acabaram por nao o fazer, mesmo apos uma minuciosa revista das mochilas da Joana e do Bernardo (chegada a minha vez e a do Pedro, perceberam que era mais do mesmo). Depois da revista, o unico chines do posto fronteirico que arranhava ingles diz-nos: Welcome to China!

Chegados a Guangzhou, resolvemos sair antes da paragem final do autocarro. Isto porque uma das paragens, ja na cidade, era exactamente em frente a uma universidade. Calculamos que ai seria mais provavel encontrar alguem que falasse ingles. Foi o melhor que pudemos fazer. Os jovens chineses, desde as criancas de 5 anos ate aos jovens universitarios, olham-nos com a maior curiosidade. Eles querem mesmo falar connosco. Saber de onde somos, para onde vamos, enquanto treinam o ingles entre pedidos de desculpa por nao o falarem tao bem quanto gostariam. "Why come to China?"-perguntam eles tantas vezes. `As vezes questiono-me se eles tem nocao da importancia da China no mundo de hoje. So em Yangshuo viria a perceber a influencia do regime que oprime de forma silenciosa, estupidificando o povo que governa.

La nos ajudaram e demos com o melhor hostel em que dormi na minha vida (tinhamos camas a mais, em suites!).
Os problemas surgiram no dia seguinte. Queriamos tratar de marcar o autocarro para Yangshuo e fazer um telefonema para a guia que nos foi indicada pela Mariana, ainda em Macau. Mas as coisas simples demoram horas a fazer quando as pessoas nao conseguem comunicar. Ninguem nos vendeu um cartao de telefone porque simplesmente nao nos entendem. No bilheteiras do comboio, os empregados optam por fingir que nao estamos ali`a frente deles, preferindo o atender o cliente seguinte. Guangzhou, nao é uma cidade vocacionada para o turismo. Assim sendo, os seus habitantes nao falam ingles, nem tentam quando interpelados. Torna-se frustrante e cansativo, mas ja aprendemos o truque: agarrar um chines da nossa idade. Esses ate vem atras de nos, ou para nos darem uma indicacao adicional, ou um pormenor util que se esqueceram de referir, chegando as vezes a guiar-nos ate aos sitios a que pretendemos chegar. Muitos fazem-no pela curiosidade de conhecer um ocidental. Outros porque querem treinar o ingles. Seja pelo que for, os jovens chineses anseiam por contacto com o ocidente, o que nos vai simplificando a vida embora nao com a frequencia que gostariamos.

Quanto `a cidade em si, Guangzhou debate-se entre a China antiga e a modernidade. Encontramos bairros tipicamente chineses, que se ocupam dos oficios mais tradicionais, mesmo junto a gigantes de betao que procuram imitar os das metropoles ocidentais. Mesmo os pagodes, templos de culto budista, erguem-se entre a selva urbana. O ultimo andar do pagode mais impressionante tem vista para a maior exportacao chinesa: a poluicao. O smog choca, como poderao ver nas fotos.

Guangzhou nao marcou, pelo menos como cidade. As zonas tradicionais sao giras mas a cidade é, infelizmente, muito mais do que isso. A poluicao do ar é demasiado evidente, mas os chineses vivem bem com ela. Talvez um dia percebam o que estao a destruir, tanto em aspectos culturais como ambientais. Estou neste momento em Yangshuo, onde isso se tornou evidente. Apetece gritar: China, nao é por aqui! Mesmo gritando em chines, duvido que me percebessem, por todas as razoes que escreverei noutro dia.

3 comentários:

António Hermenegildo disse...

Jay!!
Acho que não ha melhor forma de conhecer a China sem sair do Ocidente do que pelos teus posts!! tens o dom da palavra.. Boa sorte por onde andares e já sabes tenta desvendar o mito...
um abraço´

Unknown disse...

Jay, o blogue está óptimo!
Levas na mala um bocado de cada leitor.
Os chineses estão a tratar-vos bem?
Já viste alguém a treinar Kung Fu ou a voar de árvore em árvore?
Abraços a todos, vá, e um beijinho para a Joana.

Anónimo disse...

já conseguiste comprar um contentor de chineses trabalhadores?
desenrasca-me lá isso sff